domingo, 24 de abril de 2011

DE BIKE GYN-CORUMBÁ

Com a folga prolongada que consegui neste fim de semana, me deu vontade de fazer uma viagem. Consultei alguns amigos, e por causa do pouco tempo de que dispunha, resolvi fazer uma viagem que seria para Pirinópolis (ja fui varias vezes, inclusive de bike) ou Corumbá, que eu ainda não conhecia.

Fiz os preparativos da viagem, mas como sempre acontece, acabei esquecendo de levar algumas coisas (o que as mulheres erram para mais, os homens erram para menos na hora de preparar a bagagem). Sexta-feira pela manhã, a luz do sol entrou em meu quarto, me pegou pelo pé e acordei assustado: estava atrasado para sair para a viagem. Olhei no relógio da bicicleta, e lá ja estava dando quase 9h. Nunca tinha saido para uma viagem tão tarde. Nessa época de sol escaldante, o ideal é sair ainda pela madrugada. Será que devo ir ou não?

Por fim juntei tudo, peguei a bike e sai apressado, rumo a BR-153. A essa altura eu ainda estava em duvida: Pirinópolis ou Corumbá? So fui decidir no meio do caminho.

A paisagem externa estava abrasante, sob o sol. A paisagem interna meio nublada, com pendencias a serem resolvidas quando eu chegasse de viagem, ou talvez, quem sabe os mais de 100 km derreteriam dúvidas e incertezas, e talvez trouxessem um pouco de luz?

Em teresópolis parei para um gatorade e lanche. na porta do posto um casal em um possante parou para abastecer, o rapaz perguntou quanto eu ja tinha pedalado, e tive que chegar no ciclocomputador. 45h até ali. Ele me disse que no dia anterior havia pedalado 25. Você esta sozinho? Sim! Trocamos mais algumas palavras apresadas, e eles se foram, e eu retomei o pedal.

Como não tenho pedalado com regularidade, foi uma viagem desgastante, principalmente por causa do sol e das muitas e eternas subidas do caminho. Mas como esperava, por volta das 12h cheguei a Anápolis, almocei uma comida meio sofrida em um posto de gasolina na entrada da cidade, e aproveitei o lugar para esperar o sol se acalmar. Que agradavel abrir a blusa e deitar no cimento gelado do posto. Ao meu lado, um grupo de tres jovens com cara de UFG. Uma das garotas me chamou a atenção pelo layout cool: cabelos em dread, jeito moleca e soprando uma flauta. Eu também chamei a atenção deles, mas ficamos apenas na troca de olhares curiosos.

Por volta das 15 hs sai de Anápolis rumo a Planalmira. Muito calor, muita aridez, cansaço e subidas intermináveis. Por volta das 18h cheguei a planalmira, e na entrada da cidade não resisti e comprei queijo defumado e doce de leite em um carro-banca estacionado logo na entrada da cidade. Pedi um desconto maior, mas o vendedor não deu mole. Comprei e fui saindo. Engraçado relatar isso agora, mas ele se despediu de mim por duas vezes, e de um modo evangélico, cujas palavras não me lembro exatamente, mas enfatizavam DEUS. "O interior do estado parece ser quase todo evangélico", pensei.


Mais a frente parei no mesmo local que numa viagem anterior de bike a Piri eu havia parado. Curiosos cercaram a bike, enquanto eu tomava minha coca acompanhada com queijo defumado e banana. Fui rápido, pois o dia ja estava indo embora, e eu ainda tinha uns 20 km pela frente até chegara a Corumbá.

Pedalei com esforço mais algumas subidas, mas nada que se comparace com o que eu havia vencido até ali. Ja era noite quando cheguei na cidade. Logo na entrada pedi informação a uma mulher sobre onde eu poderia me hospedar. Ela também não conhecia o lugar, e chamou outra. A outra mulher tinha pinta de india, e me explicou com minucias o que eu deveria fazer pra chegar até a pousada. A amiga dela brincou, dizendo que eu teria que ter ótima cabeça pra guardar toda aquela interminavel explicação. "O negão tá jovem", disse ela sorrindo pra amiga.

Depois de passar pelas pousadas mais caras, cheguei na mais barata, que na verdade se chama "dormitório". Ali, uma simpática e familiar senhora me recebeu, e acertei com ela de passar a noite a R$ 25 (na primeira pousada estavam cobrando de R$60 a R$ 70.

Sai para comer algo, e na falta de um restaurante aberto (era sexta-feira da paixão). Cai nas pamonhas, alem de comprar uma água mineral atras da outra, pois o corpo cansado continua sentido sede por um bom tempo.

Fui até a igreja, e lá fiquei sabendo que teria uma procissão. Parecia que a cidade enteira estava lá. fiquei surpreso com o número de jonvens presentes. pareciam vestidos para ir ao shopping, mas ali estavam, com velas em punho. Não resisti... segui a procissão, sempre andando de lado, indo a frente para lá poder ver os andores. No centro a imagem de jesus, e em volta garotas vestidas de branco com veus negros na cabeça. Eu, que estava seguindo tudo de lado, como se estivesse apenas passando por ali, segui em frente, tentando interpretar aquela cena. Por que será que este menino toca esta matraca? estas garotas com veus simbolizam virgens? ou será que representam Maria, Madalena e as outras mulheres que seguiram jesus? Me rendi a minha ignorancia, e segui meu caminho. Lá na frente me ocorreu que a matraca serviria justamente para chamar a atenção de quem nao pode acompanhar a procissão. Ao som da matraca, todos saiam as janelas para ver a procissão... todos, exceto aqueles que lá na esquina jogam tranquilamente sua sinuca, e cujo elemento mais proximo da agua benta é o copo de cerveja.

Passei na porta de uma casa centenária que trazia em sua fachada a foto do jornalista José J. Veiga... A foto mostrava um homem orgulhosamente postado ao lado de um microfone da BBC. Numa placa de ferro, dizeres  davam conta de que ali o jornalista e escritor havia passado sua infancia. No momento que eu lia a placa, uma mulhar saiu a porta, e eu disse a ela que em Goiânia eu tinha um professor na UFG que tinha o sobrenome Veiga, e eu quiz saber se os dois poderiam ser parentes distante. Ela disse que não sabia, mas que era possivel.

No outro dia, depois de uma noite sofrida por causa do colchão, do calor e do barulho que vinha da rua direto para meu quarto, sai para Salto de Corumbá. Logo no inicio da rodovia, enchi a barriga e os cantis com agua mineral que jorra em uma fonte na beira da estrada. O pedal foi tranquilo, e logo cheguei em Salto. A paisagem é de tirar o fôlego. Que lugar lindo. quanta água, quanta força a natureza mostra ali. Guardei minha bike na guarita, depois de pagar uma diária de R$ 25. A quanto tempo não me banhava em um rio. E como disse, no inicio, esqueci de colocar algumas coisas na mochila, inclusive a sunga... bom, então vai de bermuda mesmo. E me joguei na água de inicio fria, mas depois de um tempo, deliciosa. Um salva vidas me alertou que eu não poderia tomar banho ali, pois era muito fundo. Depois de me refrescar fui conhecer a cachoeira. IMENSA. e para chegar até lá é um calvario, com varios obstaculos. Fui direto para debaixo da água que cai a dezenas de metros.  O impacto dos pingos é tão forte que parece granizo. Recomendo. do lado da cachoeira tem rapel e tirolesa.

Passei meu dia assim, mas na hora de pegar o onibus de volta tive dificuldade, pois ninguem soube me precisar a que horas ele passava... as informações iam de 3h as 4h. então fui para o ponto esperar. Tribos e mais tribos de ciclistas do motoclube de brasilia pararam por ali. Motos gigantescas, uma delas parecia um carro de duas rodas. (pena não postar fotos, pois meu cell deu pane). O onibus passou por volta das 4h, segui para Corumbá, e de lá para Gyn.

Recomendo aquela região para quem queira acampar. Tanto Salto de Corumbá quanto o trecho que vai de Anápolis até Planalmira, tem boas opções de camping.

Total: 140 km pedalados.

domingo, 27 de março de 2011

NOVO AMIGO

Falei aqui da minha última viagem a Pirinópolis de bike. Na ocasião mencionei um ciclista que encontrei pedalando na BR 153 depois do Flamboyant. Naquele dia, ele me acompanhou até Teresópolis, e depois voltou. Durante o tempo em que pedalamos juntos, falei para ele que naquele dia eu estava indo pra Piri, e claro, falei da minha façanha de ir de Gyn a Curitiba de bike. Trocamos emails, depois tentei contacta-lo, mas por algum motivo não consegui, e nunca mais nos falamos.... Até hoje, ao meio dia. Eu estava a caminho de um restaurante, quando o celular tocou. Parei, e para minha surpresa era ele, todo emocionado contando que tinha acabado de fazer uma viagem de bike, de Brasília a Goiânia " Você me inspirou... Vc me contou de sua viagem para Curitiba e fiquei com vergonha... até que decidi fazer a minha"... Vale lembrar aqui que apesar de ter o costume de pedalar, ele ja é um homem maduro, com filhos criados e tudo mais. Se eu o inspirei, ele me inspira, pois quero um futuro assim para mim... um futuro onde, sozinho ou acompanhado, eu tenha energia e coragem para enfrentar desafios., que foi o que ele fez, nesta viagem.

 Pelo jeito dele falar, e conhecendo o espírito do cicloturismo, aposto que essa deve ter sido uma experiência extraordinária para ele.  E aposto que foi a primeira de muitas que virão.

Obs.: Escrever é bom e necessário, mas nos ultimos meses estou totalmente focado em trabalho. O blog está em standby, mas retomarei em grande estilo. Aliás, minha próxima viagem está se aproximando... ja chegou no coração.

domingo, 14 de novembro de 2010

PROTESTOS PELA HISTÓRIA

Essa semana me deparei com uma frase... não exatamente um frase, mas uma palavra de ordem que foi gritada nas ruas da europa no histórico maio de 68, onde se ouvia "Não queremos perder nossas vidas enquanto tentamos ganha-la". Essa mesma frase foi ressuscitada nas últimas semanas nas ruas de Paris, onde jovens e trabalhadores protestavam contra as reformas trabalhistas do governo Sarkozy.

Convenhamos, é um punhado de palavras bem perturbador, que serve para protestar contra os incovenientes cortes que os governos tem praticado na carne do trabalhador, corroendo o que na europa chamam de bem estar social. Mas para além disso, estas palavras falam da qualidade de vida a que fomos empurrados graças aos múltiplos empregos aos quais devemos nos entregar na tentativa de sobreviver com um mínimo de dignidade. Enquanto isso, aquela outra parte humana em nós geme de atrofia, pois precisa de tempo, precisa de vazios, de calma... hiatos...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

VIDEO INSPIRADOR COM MIGUEL NICOLELIS

Acho que a maior e última fronteira a ser superada por nós brasileiros somos nós mesmos. O Brasil tem tudo para ser grande, mas ainda precisamos melhorar nossa auto estima, e assim ocupar nosso lugar no mundo. O cientista Miguel Nicolelis faz uma palestra emocionante, e nos inspira a ir além da risca de giz que nos limita... um convite ao triunfo como indivíduos e como nação.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

VIAGEM PIRI

Viagem para Piri, Sai domingo 6h e cheguei no meu destino às 18:30. Foi bem cansativo o sol estava hiper. Saindo de Gyn, de longe avistei uma bike speed, que sempre mantinha uma boa distância a minha frente. Por fim acabei alcançando-a, e fiquei meio surpreso ao ver que o "atleta" que imprimia aquele ritmo forte era na verdade um homem ja maduro. Ficamos amigos, e ele se animou em me seguir até Terezópolis. Chegando a Anápolis minha corrente quebrou... Por sorte, no momento o um casal de bikers estava passando no local e me deram apoio.

Como vinha de uma temporada sem pedalar, senti bastante as subidas fortes que tive que enfrentar debaixo de sol escaldante. Descobri vários lugares interessantes para camping pelo caminho.

Em Piri, passei uma noite sofrida, muito quente, e o barato ficou caro, pois o lugar que passei a noite não tinha o mínimo conforto. No outro dia, aproveitei ao máximo o rio que corta a cidade, junto a ponte.

Ás 17h peguei onibus para Anápolis. Chegando em Anápolis descobri que só tem transporte semi-urbano, com ônibus de uma porta só. Tive que negociar o tranporte da bike, e tive que desmontar as rodas para passa-la pela catraca. Dentro do ônibus muitos jovens que vinham de piri. Tinha três moças, uma delas vestida de arlequim. Estavam voltando de uma festa, onde elas trabalharam como animadoras.

Desembarcando na rodoviaria de Gyn, pedalei pela noite quente até chegar em casa... Foi um pedal alucinado, rápido, e muito gostoso. Aquele esgotamento que traz renovo em seguida... foi isso que esta viagem me proporcionou.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

PARANDO PRA PENSAR



Campanha da comissão de acidentes de trânsito de Victoria, Australia.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

LÁGRIMAS NO PARQUE

Depois de um dia cheio, decidi fazer caminhar minha solidão pelo parque areião. Como de costume preferi a trilha mais fechada, em busca do ar mais puro. Eu caminhava cabisbaixo, os sentidos afluíam para o barulho de uma sirene que soava na cidade lá fora. Foi quando estremeci com a presença daquela mulher sentada no chão, no meio do trieiro. Tive um segundo susto ao perceber que era uma noiva, toda vestida de branco. Ela permanecia sentada, imóvel, com a cabeça encaixada entre os joelhos, deixando livre seu longo e volumoso cabelo castanho.


No automático, dei alguns passos, desviando-me dela lentamente e me esforçando para seguir caminho... mas não resisti, voltei-me e guardando distancia estendi a mão:

- Olá, você você está legal?

-Moça, você precisa de ajuda? insisti.

Depois de alguns segundos ela levantou o pescoço, e sem olhar em minha direção balançou a cabeça negativamente e começou a chorar. A maquiagem enegrecida escorria pelo branco do vestido, que se iluminava com minúsculas manchas de sol que penetravam através das folhas das árvores.

Me desculpei e toquei levemente seu ombro desnudo e frio. Ela me encarou, e ao perceber a palidez de sua pele recuei. Era perturbador, mas eu não conseguia me mover dali. Ela enxugou o rosto com o vestido, e sacudiu o cabelo, livrando sua face alva, revelando a beleza de sua pouca idade.

-Você tem horas? perguntou com voz tremula.

-Umas quatro e meia, acho.

-Não se preocupe comigo... pode ir, ficarei bem...

-Hum... uma noiva como você não deveria estar aqui, deveria?

-Não, nem aqui nem em lugar nenhum... que merda. Disse em prantos e em seguida liberou o peso de seu corpo, caindo lentamente sobre as folhas secas.

Me apressei em toma-la nos braços, tentando levanta-la. Ela se refez e me empurrou com o cotovelo.

Não avistei nenhum sangue no vestido, apenas formigas que caminhavam desorientadas transitando entre o tecido e a pele.

Ela se enlaçou com os próprios braços e começou a balbuciar... parecia rezar.... ou recitava algo. Senti calafrios

Vou procurar ajuda... disse eu, caminhando de costas lentamente.

Corri por algum tempo até chegar na área de convivência do parque onde avistei um guarda.

Ofegante, pedi socorro a ele, sem conseguir contar o que tinha visto... apenas dei a entender que alguém estava em perigo. Ele me acompanhou, mas para meu desespero, não encontramos nada. a jovem havia desaparecido. O guarda, me ordenou que aguardasse, e telefonou pedindo reforços. Enquanto ele examinava o local me embrenhei no mato e fugi exausto, tropeçando em mim mesmo.

No outro dia, vi a extensa matéria no jornal. o corpo de Berenice foi encontrado algumas horas depois, junto a uma área pantanosa do bosque. O jornal informou que Berenice fugira de casa dias antes, levando apenas a roupa do corpo e uma caixa com o vestido de noiva que pertencia a sua mãe. A garota se escondeu no bosque por dias, a espera de Eduardo, seu professor de espanhol que nunca apareceu.