domingo, 14 de novembro de 2010

PROTESTOS PELA HISTÓRIA

Essa semana me deparei com uma frase... não exatamente um frase, mas uma palavra de ordem que foi gritada nas ruas da europa no histórico maio de 68, onde se ouvia "Não queremos perder nossas vidas enquanto tentamos ganha-la". Essa mesma frase foi ressuscitada nas últimas semanas nas ruas de Paris, onde jovens e trabalhadores protestavam contra as reformas trabalhistas do governo Sarkozy.

Convenhamos, é um punhado de palavras bem perturbador, que serve para protestar contra os incovenientes cortes que os governos tem praticado na carne do trabalhador, corroendo o que na europa chamam de bem estar social. Mas para além disso, estas palavras falam da qualidade de vida a que fomos empurrados graças aos múltiplos empregos aos quais devemos nos entregar na tentativa de sobreviver com um mínimo de dignidade. Enquanto isso, aquela outra parte humana em nós geme de atrofia, pois precisa de tempo, precisa de vazios, de calma... hiatos...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

VIDEO INSPIRADOR COM MIGUEL NICOLELIS

Acho que a maior e última fronteira a ser superada por nós brasileiros somos nós mesmos. O Brasil tem tudo para ser grande, mas ainda precisamos melhorar nossa auto estima, e assim ocupar nosso lugar no mundo. O cientista Miguel Nicolelis faz uma palestra emocionante, e nos inspira a ir além da risca de giz que nos limita... um convite ao triunfo como indivíduos e como nação.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

VIAGEM PIRI

Viagem para Piri, Sai domingo 6h e cheguei no meu destino às 18:30. Foi bem cansativo o sol estava hiper. Saindo de Gyn, de longe avistei uma bike speed, que sempre mantinha uma boa distância a minha frente. Por fim acabei alcançando-a, e fiquei meio surpreso ao ver que o "atleta" que imprimia aquele ritmo forte era na verdade um homem ja maduro. Ficamos amigos, e ele se animou em me seguir até Terezópolis. Chegando a Anápolis minha corrente quebrou... Por sorte, no momento o um casal de bikers estava passando no local e me deram apoio.

Como vinha de uma temporada sem pedalar, senti bastante as subidas fortes que tive que enfrentar debaixo de sol escaldante. Descobri vários lugares interessantes para camping pelo caminho.

Em Piri, passei uma noite sofrida, muito quente, e o barato ficou caro, pois o lugar que passei a noite não tinha o mínimo conforto. No outro dia, aproveitei ao máximo o rio que corta a cidade, junto a ponte.

Ás 17h peguei onibus para Anápolis. Chegando em Anápolis descobri que só tem transporte semi-urbano, com ônibus de uma porta só. Tive que negociar o tranporte da bike, e tive que desmontar as rodas para passa-la pela catraca. Dentro do ônibus muitos jovens que vinham de piri. Tinha três moças, uma delas vestida de arlequim. Estavam voltando de uma festa, onde elas trabalharam como animadoras.

Desembarcando na rodoviaria de Gyn, pedalei pela noite quente até chegar em casa... Foi um pedal alucinado, rápido, e muito gostoso. Aquele esgotamento que traz renovo em seguida... foi isso que esta viagem me proporcionou.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

PARANDO PRA PENSAR



Campanha da comissão de acidentes de trânsito de Victoria, Australia.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

LÁGRIMAS NO PARQUE

Depois de um dia cheio, decidi fazer caminhar minha solidão pelo parque areião. Como de costume preferi a trilha mais fechada, em busca do ar mais puro. Eu caminhava cabisbaixo, os sentidos afluíam para o barulho de uma sirene que soava na cidade lá fora. Foi quando estremeci com a presença daquela mulher sentada no chão, no meio do trieiro. Tive um segundo susto ao perceber que era uma noiva, toda vestida de branco. Ela permanecia sentada, imóvel, com a cabeça encaixada entre os joelhos, deixando livre seu longo e volumoso cabelo castanho.


No automático, dei alguns passos, desviando-me dela lentamente e me esforçando para seguir caminho... mas não resisti, voltei-me e guardando distancia estendi a mão:

- Olá, você você está legal?

-Moça, você precisa de ajuda? insisti.

Depois de alguns segundos ela levantou o pescoço, e sem olhar em minha direção balançou a cabeça negativamente e começou a chorar. A maquiagem enegrecida escorria pelo branco do vestido, que se iluminava com minúsculas manchas de sol que penetravam através das folhas das árvores.

Me desculpei e toquei levemente seu ombro desnudo e frio. Ela me encarou, e ao perceber a palidez de sua pele recuei. Era perturbador, mas eu não conseguia me mover dali. Ela enxugou o rosto com o vestido, e sacudiu o cabelo, livrando sua face alva, revelando a beleza de sua pouca idade.

-Você tem horas? perguntou com voz tremula.

-Umas quatro e meia, acho.

-Não se preocupe comigo... pode ir, ficarei bem...

-Hum... uma noiva como você não deveria estar aqui, deveria?

-Não, nem aqui nem em lugar nenhum... que merda. Disse em prantos e em seguida liberou o peso de seu corpo, caindo lentamente sobre as folhas secas.

Me apressei em toma-la nos braços, tentando levanta-la. Ela se refez e me empurrou com o cotovelo.

Não avistei nenhum sangue no vestido, apenas formigas que caminhavam desorientadas transitando entre o tecido e a pele.

Ela se enlaçou com os próprios braços e começou a balbuciar... parecia rezar.... ou recitava algo. Senti calafrios

Vou procurar ajuda... disse eu, caminhando de costas lentamente.

Corri por algum tempo até chegar na área de convivência do parque onde avistei um guarda.

Ofegante, pedi socorro a ele, sem conseguir contar o que tinha visto... apenas dei a entender que alguém estava em perigo. Ele me acompanhou, mas para meu desespero, não encontramos nada. a jovem havia desaparecido. O guarda, me ordenou que aguardasse, e telefonou pedindo reforços. Enquanto ele examinava o local me embrenhei no mato e fugi exausto, tropeçando em mim mesmo.

No outro dia, vi a extensa matéria no jornal. o corpo de Berenice foi encontrado algumas horas depois, junto a uma área pantanosa do bosque. O jornal informou que Berenice fugira de casa dias antes, levando apenas a roupa do corpo e uma caixa com o vestido de noiva que pertencia a sua mãe. A garota se escondeu no bosque por dias, a espera de Eduardo, seu professor de espanhol que nunca apareceu.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

EM MEMÓRIA

Planos frágeis, nó que se parte

Surpresa, espanto e pensamentos... sonho?

Habitas agora no pó da memória, que lentamente se dissolve por ser pó em mim

Não há lágrimas, apenas lembranças... quase sonho.

(Em memória a dois joves que partiram para sempre)

sábado, 31 de julho de 2010

ÚLTIMAS

Uma boa notíca. dia 11 de agosto irei para Teresina. Vou visitar uma das maiores fábricas de bicicletas da américa latina. Esse foi um bom presente de aniversário pra mim. Claro que vou contar tudo aqui, quando voltar.


Um grande achado recente foi os livros escritos pela Lygia Bojunga. Tenho pesquisado literatura para crianças, e ela é uma fonte mais que necessária. Um texto rico, muito rico. Ela prova que tem como ser profundo e inteligente em textos para crianças. Ela aborda assuntos complexos, como suicídio, paixões, infidelidade conjugal, estupro, morte, etc. Ou seja, é uma autentica artista, que não tem medo de se pronunciar, mesmo para o público infantil.

As vezes  me aborrecia com essa idéia achatada de que temos que ocultar tudo das crianças, só mostrando a elas o ladinho cor de rosa da vida. Não dá pra ser assim, a criança tem que ser confrontada com a vida. Claro que tudo deve ser colocado com sensibilidade, mas deve ser dito.

O livro que estou lendo da Lygia, é "Os colegas". Nele, existe uma clara crítica a ditatura militar que estava rolando na época. Existe muito humor e lirismo, e também vários conflitos psicológicos que pegam de cheio até o leitor mais maduro.